Victor (dir) voltou a ser heroi do Atlético-MG em avanço na Libertadores
Herói do Atlético-MG supera furo em peneiras e dor por ausência na Copa
José Ricardo LeiteDo UOL,em São Paulo
Mas, a partir do segundo jogo das quartas de final, um até então inesperado personagem roubou de Ronaldinho, Bernard, Tardelli e Jô o status de herói atleticano na campanha. Victor começou a cair nas graças da torcida depois de defender com os pés um pênalti no último minuto do jogo contra o Tijuana, do México, na volta das quartas de final. O empate de 1 a 1 garantiu a classificação.
Na última quarta, ele voltou a se destacar com defesas importantes que evitaram uma eliminação precoce para o Newell's Old Boys. Virou o grande herói ao defender o pênalti de Maxi Rodriguez que garantiu a vaga na final.
E o herói atleticano, revelado pelo Paulista, de Jundiaí, poderia ter tido outro rumo em sua carreira. Assim como vários outros atletas, viveu a ansiedade das peneiras.
Victor foi com 14 anos fazer uma peneira do Guarani, na cidade de Presidente Wenceslau, próxima à pequena cidade de Santo Anastácio, a aproximadamente 600 km de São Paulo, onde nasceu. Acabou selecionado pelo time campineiro, mas nunca foi chamado de fato para integrar a equipe. É o que lembra sua mãe e “confidente”, Dona Neusa Bagy.
“Ele disse que iria sozinho, com 14 anos. Ele levantou de madrugada, pegou a chuteirinha dele e foi de ônibus. De 19 meninos que concorriam, só ele foi selecionado, mas o Guarani não deu resposta até hoje. Depois que o escolheram, disseram: ´agora aguarda vamos te comunicar a data´. Ficamos aguardando, mas ninguém mais deu notícias”, lembra a mãe.
Mas um olheiro do Paulista estava presente nos testes e convidou Victor para ir para o Paulista. Mas antes de realizar sua mudança para Jundiaí, ainda fez mais uma peneira, também em Presidente Wenceslau, para integrar as categorias de base do São Paulo.
Foi selecionado para jogar no time da capital e até treinou com a equipe na cidade. Mas acabou por não ir. A mãe explica que o então técnico do time sub-15 do Morumbi, Pupo Gimenez, fez uma recomendação de que seria melhor para o garoto jogar no Paulista por ter mais oportunidades.
“Ficou um mês treinando no São Paulo, mas o treinador, Pupo Gimenez, falou que ele era bom goleiro, mas tinha outros cinco na frente. Recomendou então que fosse para o Paulista por lá ser uma boa escola”, afirmou.
Pupo dá outra versão e diz que depois de fazer a peneira no interior e treinar com garotos do São Paulo na região de Presidente Wenceslau, Victor preferiu ir para o Paulista por já ter dado a palavra.
“Quando chegou na época de definir os meninos para morar e treinar no São Paulo, ele me procurou e agradeceu a oportunidade. Disse ´agradeço, mas já fiz testes no Paulista, fui aprovado e dei a palavra que ia jogar pra eles´. Ele deixou de jogar no São Paulo porque tinha apalavrado com o Paulista. Ele ia jogar, seria titular do time”, falou Pupo.
Victor ainda viveu a frustração de fazer parte da seleção brasileira durante boa parte da era Dunga. Foi campeão com a equipe da Copa das Confederações de 2009. Mas acabou preterido da lista para a Copa de 2010, que teve Julio Cesar, Doni e Gomez.
Foi um momento dolorido e que a mãe teve que agir para ajudar. “Foi um baque pra ele e pra nós também. Somos unidos, e quando ele sofre, todos sofremos juntos. Ele participou da Copa das Confederações, e o Dunga era muito bacana com ele. Era um homem de confiança. E depois vem essa não convocação, estava todo mundo preparado pra fazer passeata. Ele teve uma baixa por um tempo e teve uma caída de produção”, lembra dona Neusa.
“Aquele dia choramos juntos no telefone. Sabemos como é filho, mãe tem que tirar leite de pedra, endurecer o coração e buscar no fundo alguma coisa. Nos falamos bastante e ele acabou superando.”
Agora, o momento é outro. Victor curte o bom momento de herói do time mineiro. “Conversei umas 2h da manhã, e ele estava super, super feliz. É uma alegria que não tem tamanho poder vê-lo jogar. Não dá dimensionar essa felicidade. É maravilhoso”, finalizou.
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